terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Gripen NG Brasil

ELIANE CANTANHÊDE
COLUNISTA DA FOLHA


O programa FX-2, de renovação da frota de caças brasileiros, entrou na reta final ontem, quando todas as três empresas finalistas formalizaram suas propostas definitivas à FAB, com melhores preços e condições. O Rafale, da francesa Dassault, é o preferido da área política, mas o Gripen NG, da sueca Saab, continua no páreo por ser mais barato e oferecer maior transferência de tecnologia.
O terceiro concorrente é o F-18 Super Hornet, da norte-americana Boeing, tido, inclusive no mercado, como praticamente fora da disputa.

Apesar da preferência política do Planalto e da Defesa pela França, Lula aproveitou um dos voos para o exterior para ver um filmete de cinco minutos da Saab, em português, sobre o Gripen NG. Conforme a Folha apurou, ele comentou: “Puxa, eu não sabia disso!”

Esse mesmo filme, mostrado ontem na Embaixada da Suécia para jornalistas, diz em resumo que a indústria nacional será responsável por 40% do desenvolvimento do Gripen NG e que o Brasil poderá exportar o avião para a América do Sul e para seus parceiros tradicionais, além de fornecer as peças de todos os Gripen vendidos pela Suécia “para todo o planeta”.

O filme foi “contrabandeado” para Lula por oficiais da Aeronáutica, que veem vantagens no Gripen NG por ser um projeto em desenvolvimento que já conta com a participação de técnicos brasileiros.
Pilotos do país já voaram no “demonstrador de conceito”, uma espécie de prévia do avião, cuja fabricação no Brasil está prevista desde o início, com a primeira entrega em 2014. E com 175% de contrapartidas industriais e em pesquisa correspondentes ao valor do pacote.

Também a cúpula da Embraer tem manifestado apoio ao pacote sueco. A empresa será diretamente beneficiada pela transferência de tecnologia e ao se transformar em fornecedora de peças de aviões de caça.

Representantes da Saab reclamam que o ministro Nelson Jobim, principal responsável pela condução do processo, visitou as instalações militares da França, dos EUA e até da Rússia (cujo Sukkoi foi desclassificado), mas não foi às da Suécia.

Na terça, Lula estará em Estocolmo para a 3ª Cúpula Brasil-União Europeia. A questão dos caças será prioridade do governo sueco, com um apoio discreto da Embraer.
As últimas manifestações dos governos tanto do Brasil como da França foram de que o negócio caminha para os Rafale, no rastro do pacote de submarinos e helicópteros, estimado em R$ 20 bilhões.

Só não há sinais aparentes a favor dos F-18, considerados os mais sofisticados do mundo. O governo brasileiro não crê nas promessas dos EUA de transferência real de tecnologia.
Um fato novo é que a americana Trans States Holding acaba de anunciar a compra de cem aviões de transporte regional da Mitsubishi Aircraft, japonesa. A empresa nunca exportou aviões, ao contrário da Embraer, uma das maiores fabricantes desse tipo de avião.

Equipe da FAB redigirá o relatório final a ser submetido ao Alto Comando da Aeronáutica. O resultado irá para Defesa, Planalto e Conselho de Defesa Nacional. A decisão é de Lula.

FONTE: Folha



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